EM PIRACICABA (SP) 25 DE AGOSTO DE 2017

Câmara reforça mobilização pela volta do reitor da Unimep

Moção de apelo de autoria do presidente da Câmara, Matheus Erler foi aprovada em caráter de urgência na reunião ordinária de ontem (24).




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Na 46ª reunião ordinára desta quinta-feira (24), o plenário da Câmara de Vereadores de Piracicaba aprovou por unanimidade a iniciativa do presidente da Casa de Leis, Matheus Erler (PTB), na moção de apelo 113/2017, ao superintendente do Cogeime (Conselho Geral das Instituições Metodistas de Educação) e diretor geral das Instituições Educacionais Metodistas, Robson Ramos de Aguiar, bem como ao Bispo Luiz Virgílio, presidente da Igreja Metodista, para que reintegre o professor Márcio de Moraes ao cargo de reitor da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba).

No teor da moção, Matheus Erler considera que após quatro dias de greve de professores e funcionários, que começou no último dia 8 de agosto e foi suspensa nesta terça-feira (22), o reitor da Unimep, Marcio de Moraes, foi demitido após 10 (dez) meses no cargo.

A decisão, que aconteceu na sexta-feira, dia 12 de agosto, agravou ainda mais a crise na instituição. Estudantes ocuparam a reitoria em apoio à manifestação dos docentes e trabalhadores, pedindo mais autonomia da unidade e criticando as decisões da Rede Metodista, mantenedora da universidade.

A Adunimep (Associação de Docentes da Unimep) criticou a demissão e afirmou que a ação é um “rompimento com a autonomia”.

A Rede Metodista ainda não se manifestou oficialmente sobre os motivos da demissão e de acordo com a Adunimep, uma das razões para os alunos terem ocupado a reitoria era justamente a possibilidade de desligamento do reitor, que apenas tomou decisões pela volta do portal antigo para que os alunos conseguissem efetuar a matrícula do segundo semestre.

O Instituto Educacional Piracicaba, representante da Rede Metodista no município, informou a saída do reitor aos docentes e professores em nota publicada na sexta-feira dia 12 de agosto, com documento assinado pelo diretor-geral do instituto, Robson Ramos de Aguiar, e não mencionou a palavra "demissão", mas apenas disse que Moraes deixaria as funções de reitor. “Manifestamos nossa gratidão por esse período no qual o Prof. Marcio esteve na liderança da universidade”, finalizando o texto, assumindo em seu lugar o professor Fabio Botelho Josgrillberg interinamente a função, sendo ele, diretor nacional da Rede Metodista.

Por conta da demissão do reitor, os professores, funcionários e alunos realizaram assembleias. Em um ato à altura da história de 53 anos da Unimep, cerca de 300 pessoas foram à Câmara, embaixo de chuva, na tarde da última quinta-feira, 17 de agosto, manifestar repúdio à Rede Metodista de Educação, grupo mantenedor da escola de ensino superior e do Colégio Piracicabano.

A reunião pública, no salão nobre na Câmara, foi convocada pelo presidente Matheus Erler (PTB) e pelos parlamentares que compõem a Comissão de Educação, Esportes, Cultura, Ciência e Tecnologia: o presidente Maestro Jonson (PSDB), o relator Paulo Campos (PSD) e o membro Paulo Henrique Paranhos Ribeiro (PRB).

Tanto o salão nobre quanto o hall externo foram ocupados por apoiadores do movimento, a reunião pública foi antecedida por um protesto em frente à Câmara, realizado por dezenas de manifestantes que partiram em passeata desde o Colégio Piracicabano, com carros de som, palavras de ordem e faixas com os dizeres "Fora, Rede", "Autonomia universitária", "A Unimep é de Piracicaba" e "Não é salário, é autonomia".

Vereadores, professores, funcionários e alunos de ambas as instituições e representantes de entidades de classe, associações e sindicatos uniram-se para cobrar a abertura de diálogo com a Rede Metodista e solidarizar-se com o professor Márcio de Moraes, que, no último dia 11, foi destituído do cargo de reitor da Unimep pela direção do grupo.

Além de restringir o diálogo com professores e funcionários da Unimep e pagar-lhes com atraso salários e férias, a Rede Metodista é alvo de reclamações pela implantação de um novo sistema interno de gerenciamento de dados da universidade.

Desde a mudança, alunos não estão conseguindo efetuar matrícula (o que impede a compra de passes escolares e o registro em estágio obrigatório), receber boletos de mensalidade (causando a perda de descontos), emitir históricos escolares e aderir a seguros de vida para estagiários. Já os professores não estão tendo acesso a informações relativas ao Fies e ao Prouni, às suas turmas de alunos e ao registro de ponto e de frequência às aulas.

Em quase duas horas e meia, o ato na Câmara abriu espaço para a fala de 18 autoridades e do público presente. Pela Unimep, discursaram o reitor destituído Márcio de Moraes, o presidente do Sindicato dos Professores de Campinas e Região, Carlos Virgilio Borges, o presidente da Adunimep (Associação dos Docentes da Unimep), Milton Schubert, o presidente da Associação dos Funcionários do Instituto Educacional Piracicabano, David Wesley Marques, diversos professores e a representante dos alunos Nathália Navarro.

A reunião pública definiu ações em defesa da Unimep sendo que o Presidente do Poder Legislativo, Matheus Erler informou que a Câmara vai criar um fórum em defesa da instituição. "Trabalharemos de forma conjunta com alunos e professores para que a Unimep saia deste momento difícil", afirmou.

Os presidentes do Conespi (Conselho das Entidades Sindicais de Piracicaba), Wagner da Silveira, e do Sindicato dos Bancários de Piracicaba e Região, José Antonio Fernandes Paiva, ofereceram apoio logístico para o movimento grevista se deslocar a São Paulo para pressionar a Rede Metodista a abrir diálogo. "Quando falamos que estamos juntos, é porque mexeu com vocês, mexeu com a gente", disse Paiva, sob aplausos.

O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Piracicaba, Jefferson Goularte, disse que a entidade foi procurada por professores da Unimep com a proposta de que seja criada uma comissão para acompanhar o caso.

O secretário municipal de Trabalho e Renda, Evandro Evangelista, colocou "a Prefeitura como um todo à disposição", apoio reiterado pelo prefeito de Piracicaba, Barjas Negri. Ele disse que o secretário estadual de Emprego e Relações do Trabalho, José Luiz Ribeiro, também é solidário à greve, colocando seu escritório de São Paulo à disposição dos manifestantes.

O deputado Estadual Roberto de Morais (PPS), também disse estar apoiando os manifestantes, colocando seu gabinete da Assembleia Legislativa à disposição para tentativa de diálogo.

Além do presidente da Câmara, Matheus Erler, o Maestro Jonson (PSDB), Paulo Henrique (PRB) e Paulo Campos (PSD), estiveram presentes na reunião pública, seguido pelos vereadores André Bandeira (PSDB), Gilmar Rotta (PSDB), Nancy Thame (PSDB), Osvaldo Schiavolin, o Tozão (PSDB), e Pedro Kawai (PSDB). Também compareçam ao ato o presidente da Emdhap (Empresa Municipal de Desenvolvimento Habitacional de Piracicaba), João Manoel dos Santos, e o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Piracicaba, Fânio Luis Gomes.

Apesar da suspensão da greve, após professores e funcionários aceitarem, nesta terça-feira (22), o acordo feito no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que revê a suspensão da greve, prevê pagamento de salários dos dias parados no dia 2 de outubro, estabilidade no emprego por 60 dias, não punição dos alunos envolvidos na ocupação e um grupo de trabalho para discutir a celebração do Acordo Coletivo de trabalho, a reintegração do reitor não está sendo cogitada.

Cópias da moção de apelo foram enviadas à: Associação de Docentes da Unimep (Adunimep), Conselho das Entidades Sindicais de Piracicaba), OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Piracicaba, Sindicato dos Professores (SIMPRO). Sindicato dos Auxiliares em Administração Educacional de Piracicaba e Associação dos Funcionários do Instituto Educacional Piracicabano. 

 

Fórum Defesa da Unimep Matheus Erler

Texto:  Martim Vieira - MTB 21.939
Supervisão de Texto e Fotografia: Valéria Rodrigues - MTB 23.343

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