EM PIRACICABA (SP) 02 DE ABRIL DE 2024

Câmara realiza debate sobre inclusão e direitos dos autistas

Promovido pelo Fórum da Pessoa com Deficiência da Câmara de Piracicaba, sob a coordenação do vereador André Bandeira, o evento foi transmitido ao vivo pelas redes sociais




Toque na imagem para aumentar

Câmara realiza debate sobre inclusão e direitos dos autistas

Crédito: Guilherme Leite - MTB 21.401




Com o objetivo de promover uma melhor compreensão e apoio às pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista), foi realizado, na manhã desta terça-feira (2), o 2º Simpósio “Autismo em foco”.

O evento foi promovido pelo Fórum da Pessoa com Deficiência, coordenado pelo vereador André Bandeira (PSDB). A programação contou com a palestra “Autismo na Vida Adulta”, ministrada pelo criador e idealizador do canal nas redes sociais “Lado B do Autismo”, Luiz Antônio Moreira Porto “Zizo”; com o depoimento, por intermédio de vídeo, da “mãe atípica” Dra. Larissa Lafaiette Mangussi, fundadora do grupo “Terapia de Mães Atípicas” e com a exposição de artes do artista plástico e pessoa com TEA  Augusto Lafaiette de Godoi Mangussi.

O 2º Simpósio “Autismo em foco” foi realizado das 9h às 12h no Salão Nobre “Helly de Campos Melges”, com transmissão ao vivo pela TV Câmara, no canal 11.3 UHF da TV digital aberta, além dos canais por assinatura 4 da Net/Claro e 9 da Vivo Fibra. Os trabalhos tiveram transmissão simultânea nos perfis da Câmara no Facebook e YouTube, assim como no site camarapiracicaba.sp.gov.br.

SIMPÓSIO

O vereador André Bandeira abriu os trabalhos do simpósio, registrando a presença de Zizo, no compartilhar de experiência, por uma visão humanista do autista. A segunda palestrante, Larissa Lafaiette, que não chegou a tempo para o evento, ao se deslocar da cidade de Caldas Novas, no Estado de Goiás, deixou um vídeo, citando obras de seu filho, Augusto Godoi, que além de autista é artista de renome internacional.

No vídeo Larissa discorre sobre a trajetória do filho, que hoje está com 16 anos. No depoimento ela fala de quando descobriu o autismo, quando o filho tinha um ano, onde demorou a engatinhar, em sentido contrário às outras crianças. "Com um ano e dois meses levamos ele a São Paulo, em contraposição aos médicos, onde muitos pediram para esperar até que um psiquiatra me perguntou o que o coração dizia sobre o meu próprio filho, pois o coração de mãe não erra", relatou Larissa para demonstrar o início da intervenção sobre a condição do filho, onde o passo seguinte foi a colocação dele numa escola, onde as terapias foram indispensáveis.

Larissa também comenta no vídeo sobre a postura de uma médica, ao encorajar as mães a realizarem verdadeiros milagres ao não se entregarem perante as dificuldades e superar com muito amor os obstáculos com os filhos autistas. "Meu filho descobriu a música, a pintura, o piano, joga tênis, viaja o mundo todo. A luta junto com Augusto é por políticas públicas, para que os direitos sejam respeitados, na escola, no mercado de trabalho, a cada dia a gente vence uma etapa, não é fácil, não podemos romantizar o autismo. O caminho é um só, não desistir, lutar por inclusão, que as escolas aceitem nossos filhos, como eles são. Deus está conosco todos os dias", disse.

No vídeo, Augusto também manda a sua mensagem: "Oi galera de Piracicaba, sou artista famoso, pintor desde os 9 anos. Já estive em Miami, fora do Brasil. Ganhei prêmio em Fênix, na Califórnia", disse o artista, no reforço às palavras de sua mãe, ao relatar que o seu sonho ainda é cursar a Faculdade de Belas Artes, ter uma agência de turismo, ter pós graduação e uma namorada.
 
E, dando continuidade aos trabalhos, o palestrante Zizo, ao lado de sua filha, iniciou suas considerações, destacando a importância de falar de experiências, no reconhecimento de que pessoas com deficiência encontram barreiras. "O que temos que conseguir é que cada pessoa busque a sua felicidade, de maneira livre. Autista é pessoa muito metódica. Nasci na pré história do autismo, o primeiro diagnóstico foi em 89, era só esquisito, me sentia diferente", disse Zizo, que hoje está com 54 anos, lembrando que o autismo é um tripé, em dificuldade de comunicação e não de fala, onde a dificuldade é pelo social, por não entender as relações sociais.

Ele disse que descobriu o diagnóstico de autismo aos 42 anos, e aí soube o porquê não gostava de festa, barulho, onde tudo é muito estressante. "Nós autistas somos seres humanos completos, gostamos de pintura, podemos ser médicos e termos outras profissões. Há que se descobrir o quanto antes o híper foco da criança. É um grande caminho de conexões, de enxergar este ser humano como um topo, para que possamos pavimentar o caminho. É da minha natureza ser restritivo, sentar no mesmo lugar. Se a gente puder entender que existe um ser humano lá, com o direto de ser feliz, então fica tudo mais fácil", disse Zizo.

O palestrante também fez uma ressalva, para que se tenha critérios para com as mulheres autistas, onde hoje não se tem este diagnóstico. Também citou a periferia, incluindo a população negra e os indígenas. "Há que garantir acesso a todos, começando pelas mulheres", concluiu o palestrante, que juntamente com o vereador André Bandeira responderam aos vários questionamentos suscitados no seminário, em questionamentos passando pela dificuldade dos autistas arrumarem uma companheira, da expedição de carteirinhas, que hoje podem ser solicitadas pelo Poupatempo Estadual e outros temas ligados aos autistas. 

A vereadora Sílvia Morales (PV), do mandato coletivo a Cidade é sua também fez questionamentos sobre demandas enviadas ao seu gabinete, sobre a realização de concurso que pede laudos psiquiátricos recentes, sendo que isso vem contra o histórico do autista, dado ao caráter permanente de sua deficiência.

A vereadora Rai de Almeida (PT) também participou do simpósio e agradeceu a oportunidade de chamar a discussão no dia de hoje, pelas riquezas das informações e discussões do evento. A parlamentar ainda fez a defesa por políticas públicas, visando a população negra, mulheres e crianças que "não sabemos como estão sendo tratadas dentro das escolas, na construção da cidade. Fico feliz pelas informações debatidas aqui", disse a parlamentar.

O vereador André Bandeira encerrou o evento, se colocando à disposição, pelo trabalho da Procuradoria da Mulher da Câmara, no trabalho de buscar onde estão as pessoas com aspectos autistas, mulheres, pretos, indígenas, nas periferias e outras demandas deste universo do autismo. "Há que oferecer custos, opções de melhor capacitar estes profissionais na área da educação. Preciso ter números. Vamos cobrar para que isso aconteça", destacou o parlamentar.

André Bandeira também considerou o papel de várias mães e falou da possibilidade de judicializar a questão do levantamento do autismo. A assistente social, Priscila, falou da preocupação das mães, onde 99,9% dos genitores abandonam o lar, sem apoio e respaldo paterno. "Esta mãe precisa de cuidados mais ainda, por ser julgada a todo tempo, onde vai com o filho autista", disse.

FRENTE PARLAMENTAR

André Bandeira falou de iniciativa na Câmara, no próximo dia 25 de abril, no lançamento da Frente Parlamentar, onde há que se dar todo suporte à pessoa autista. Lembrou que no primeiro simpósio, dentre 50, 49 eram mulheres. "É realidade triste que se vive, mas toda família precisa de suporte. A busca é trabalhar por políticas públicas", disse.

Elisete Santos, ligada do setor de Desenvolvimento Social da Prefeitura de Piracicaba destacou o papel da assistência, onde a primeira ação prolongada da criança é na educação, sendo que após esta etapa chega na assistência. "Experiência de vida é a mais enriquecedora. Cordão não é política pública para as deficiências tão grande que temos. Vamos aprender a lidar com o autismo", alertou Elisete.

Legislativo André Bandeira

Texto:  Martim Vieira - MTB 21.939
Supervisão de Texto e Fotografia: Rebeca Paroli Makhoul - MTB 25.992
Imagens de TV:  TV Câmara

Notícias relacionadas