EM PIRACICABA (SP) 28 DE FEVEREIRO DE 2024

Semae atribui falta d'água a baixos investimentos ao longo de anos

Em audiência pública nesta quarta (28) sobre falta de água na região de Santa Teresinha, representantes do Semae apontaram necessidade de retomada de investimentos




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Audiência pública foi realizada na tarde desta quarta-feira (28) no plenário da Câmara Municipal de Piracicaba

Crédito: Rubens Cardia (MTB 27.118)




Os baixos investimentos no Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto) ao longo dos anos e a não realização de obras voltadas à ampliação da oferta e distribuição de água na cidade foram apontados por Artur Costa Santos, Presidente da autarquia, como causas potenciais para problemas registrados no abastecimento do município. 

As informações foram trazidas em audiência pública realizada na Câmara Municipal de Piracicaba na tarde desta quarta-feira (28), solicitada e presidida pelo vereador Cássio Luiz Barbosa (PL), o Cássio Fala Pira, e que teve como mote a “discussão e esclarecimentos sobre os constantes problemas no abastecimento e fornecimento de água no Bairro Santa Teresinha”, conforme trazido no requerimento 11/2024

Também estiveram presentes o vereador Acácio Godoy (PP) e técnicos da autarquia municipal de água e esgoto, que responderam a perguntas de parlamentares e de populares, que trouxeram questionamentos a partir da galeria do Plenário “Francisco Antonio Coelho” e por meio das redes sociais do Legislativo.

Investimentos - Ao ser questionado pelos vereadores sobre os principais gargalos do Serviço, Artur Costa Santos disse que, ao longo de 20 anos, “o nível de investimentos executados dentro do Semae foi irrelevante para a idade das tubulações e dos processos que temos. Com isso temos problemas de todos os tipos possíveis e imagináveis ”.

De acordo com ele, os baixos níveis de investimento podem ser notados, por exemplo, em tubulações antigas, que potencializam perdas de água tratada, na não reformulação de processos e rotinas administrativas da autarquia, na não execução de obras voltadas a ampliar o tratamento e a capacidade de distribuição do sistema e, também, na insuficiência de pessoal, tanto para as operações em campo como, também, na gestão e fiscalização dos contratos e parcerias em vigor. 

“Em 2011 foi feito um Plano de Saneamento, que previa obras de grande porte no sentido de que pudessem fazer um atendimento geral à perspectiva de crescimento [do município]. Deste plano, pouco foi executado, praticamente nada em termos de valores relevantes. Com isso, a água não chega como deveria na maioria das regiões, principalmente periféricas do município”, analisou o presidente do Semae.

Segundo Artur Costa Santos, a expectativa é que, em um prazo de até dois anos e meio, grandes obras sejam realizadas, financiadas tanto com recursos obtidos por meio de operações de crédito do Finisa 1 e 2 (Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento), da Caixa Econômica Federal, como também por meio de recursos próprios, contrapartidas e outras fontes.

Segundo representantes da autarquia, cerca de R$ 23 milhões do Finisa 1 devem ser empregados em obras na Estação de Tratamento de Água do Capim Fino - responsável por 80% da produção de água na cidade -, o que deve resultar em um aumento na produção de 1.500 para 2000 litros de água por segundo. 

Já por meio de recursos do Finisa 2, novas adutoras e reservatórios devem ser construídos, melhorando a oferta do sistema como um todo. Essas obras, segundo representante do Semae, serão da ordem de R$ 40 milhões de reais. 

Todas esses projetos, no entanto, reforçou o Presidente, dependem de licitações que seguem “processos complexos’, e que devem seguir os ritos e previsões legais para serem iniciadas e concluídas. 

Obras iniciadas - O superintendente operacional do Semae, João Vitor Roesner, destacou que a rede de abastecimento de água é interligada e, por isso, melhorias em pontos distintos acabam por reverberar positivamente no sistema como um todo. 

Aos presentes, ele falou sobre projetos já concluídos e em execução pela autarquia, previstos no plano de saneamento de 2011 e que em boa parte são custeados com recursos de contrapartidas de empreendimentos construídos na cidade, como a ampliação das casas de bomba da Paulicéia e da Marechal, já terminadas, e da casa de bomba do Unileste, em vias de conclusão.

Ainda de acordo com ele, foram construídas novas adutoras no Monte Feliz e na Marechal-Pauliceia, que resultaram na melhoria da distribuição da água para diversos bairros, e estão em fase de execução obras de impermeabilização do reservatório da Marechal, de finalização de uma estação de tratamento de lodo a fim de responder à futura demanda gerada pela ampliação da capacidade da Estação do Capim Fino, e de ampliação do reservatório do Campestre.

Ainda de acordo com o superintendente, a autarquia, paulatinamente, deve reduzir os valores gastos com energia elétrica ao sair do chamado Ambiente Controlado - em que a energia é adquirida apenas junto à concessionária do serviço - e passar para o chamado Ambiente Livre, que é o mercado de ampla concorrência. “Significa uma economia estimada de cerca R$ 79,6 milhões ao longo de cinco anos, só com gastos em energia”, destacou.

Outro ponto por ele trazido é a expectativa, em breve, do início do contrato de geofonamento, com empresa terceirizada, voltado à detecção e conserto de vazamentos na rede, o que deve reduzir as atuais perdas registradas no sistema. 

Desafios - Cássio Luiz Barbosa e Acácio Godoy frisaram que recebem diariamente demandas de moradores, não apenas da região de Santa Teresinha, mas também de outros pontos da cidade, e lembraram que há um clamor popular por respostas. 

“As pessoas precisam de uma resposta, de alguma coisa concreta”, disse Cássio Luiz ao solicitar, além das informações sobre os investimentos previstos, medidas, ainda que de curto prazo, para mitigar os problemas no abastecimento. 

“O Semae com esse contrato que está saindo, de geofonamento, que vai auxiliar nos reparos [das tubulações], terá um atendimento mais rápido quanto aos vazamentos. Consertando os vazamentos mais rápido, é para diminuir o problema de falta d’água”, disse Pedro Alberto Caes, Diretor do Departamento de Operação e Manutenção do Semae. 

“Nós estamos aqui para cobrar respostas, perguntar. O que as pessoas merecem é a verdade. As pessoas querem que a gente venha aqui e fale que tem uma coisa que dá para fazer e que, na semana que vem, já não vai faltar água na casa dela. É mentira. Não temos uma solução que em 15, 20 dias essa falta acabe, pois o problema é de décadas. O investimento é altíssimo, o trabalho dura meses, e é para melhorar. Mas, infelizmente há pessoas vão às redes sociais e ficam prometendo soluções de 30 dias… mentira”, disse Acácio Godoy.

“Tudo exige planejamento. Se nós não tivermos um planejamento, seja ele Executivo, do Legislativo ou da parte técnica, nós não vamos avançar. Nós precisamos um do outro. O Executivo precisa ter a verba aprovada nesta Casa para os serviços serem executados. Todos precisam de todos. Nossa cidade está crescendo desordenadamente, está inchando, e a gente precisa de um projeto para o futuro”, reforçou o presidente da audiência pública, Cássio Luiz. 

De acordo com João Vitor Roesner, a expectativa é que um novo plano de saneamento seja apresentado nos próximos seis meses, já com dados e valores atualizados sobre as demandas para os próximos anos.

A audiência pública pode ser revista, na íntegra, no vídeo localizado no início desta matéria e, também, na página oficial da Câmara Municipal de Piracicaba no Facebook. 

Vereadores Infraestrutura Urbana Cassio Luiz Acácio Godoy

Texto:  Fabio de Lima Alvarez - MTB 88.212
Supervisão de Texto e Fotografia: Rebeca Paroli Makhoul - MTB 25.992

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