EM PIRACICABA (SP) 25 DE MARÇO DE 2025

Cortes no orçamento pela administração são alvos de questionamento

Em requerimento, vereadora Rai de Almeida quer saber que pastas sofreram cortes com reforma administrativa e com o contingenciamento de recursos determinado pelo prefeito




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Rai de Almeida pontuou que, apesar de receber a administração com superávit, prefeito determinou contingenciamento

Crédito: Rubens Cardia (MTB 27.118)






O contingenciamento de recursos do orçamento municipal no valor de R$ 165 milhões é questionado pela Câmara Municipal de Piracicaba através do requerimento nº 235/2025, de autoria da vereadora Rai de Almeida (PT), aprovado na 14ª Reunião Ordinária, nesta segunda-feira (24). O corte de verbas foi uma das primeiras medidas do governo do prefeito Helinho Zanatta (PSD), em janeiro, por decreto.

No requerimento, a vereadora cita a última audiência pública para prestação de contas sobre situação orçamentária do município, em 26 de fevereiro, na qual a Secretaria de Finanças informou que a Prefeitura iniciou o ano de 2025 com o valor de R$ 411,5 milhões. Desse montante, R$ 205,3 milhões estão no caixa no Tesouro Municipal, além de quase a mesma soma em recursos estaduais e federais, fundos e operações de crédito, já descontados os passivos financeiros e restos a pagar não processados, conforme o documento.

A parlamentar ainda cita que, na audiência pública, foi informado que o município arrecadou dentro do esperado, teve uma despesa equilibrada e utilizou o superávit financeiro, cumpriu os limites da Educação e da Saúde e o de Pessoal. Além disso, que o endividamento também está fora de risco, e que o município tem executado seus restos a pagar e ficou muito próximo do cumprimento de suas metas.

Secretarias – Rai de Almeida salienta que o contingenciamento determinado por Helinho Zanatta representa 15% do total dos recursos do tesouro, excluindo despesas de pessoal e obrigações patronais, sendo apenas sobre investimentos, custeio e despesas variáveis de pessoal. Informa ainda que a pasta com maior valor cortado é a de Obras, Zeladoria e Serviços Públicos, que terá R$ 40,6 milhões contingenciado. Na sequência, vêm Saúde e Educação, com cortes de, aproximadamente, R$ 32,2 milhões e R$ 28,1 milhões.

“A Administração Pública é a atividade mediante a qual as autoridades públicas constituídas realizam ações para atendimento das necessidades de interesses público, como também a conservação do próprio público”, ponderou a vereadora, no requerimento.

Por isso, ela questiona os detalhes do contingenciamento por secretaria, considerando a existência das pastas até dezembro de 2024 e as criadas na atual gestão. Quer saber ainda o valor do orçamento anual disponível em cada secretaria, após a reforma administrativa e de quais secretarias foram remanejados os valores para a criação das atuais, além dos valores destinados a estas pastas para o pagamento da folha salarial anual.

Cenário econômico – O líder do governo, vereador Josef Borges (PP), disse que o contingenciamento foi uma medida cautelar adotada pelo prefeito mediante a incerteza do cenário econômico. “O prefeito fez um bloqueio que poderá ser revertido se o governo verificar se as contas e as metas estão sendo cumpridas”, explicou. Disse ainda que foi executada a reforma administrativa, com reformulação da estrutura de secretarias, remanejamento de orçamentos e adequações, mas sem prejuízo para os servidores ou ações da administração, segundo o parlamentar.

Rai de Almeida alegou que quer receber as informações oficialmente. “A Prefeitura iniciou o governo com superávit. A administração anterior deixou muito a desejar quanto à execução orçamentária. Encerrou as atividades deixando R$ 411 milhões nos cofres públicos, mas o poder público não é para fazer aplicações ou economia do recurso público, é para executar e fazer acontecer as políticas públicas”, avaliou. “Apesar desse superávit, o atual prefeito contingenciou em 15% todo o orçamento e, segundo informações, a Saúde e a Educação foram as mais afetadas com o contingenciamento. Se isso ocorrer na Cultura, que tem orçamento menor, pode ser muito pior”.

No discurso, Rai de Almeida também pontuou sobre o reajuste do funcionalismo municipal, que está atualmente em discussão em dissídio coletivo. Ela lembrou que a Prefeitura está com percentual abaixo do previsto para as despesas com pessoal, em 38%, e que pode chegar a até 54% da Receita Corrente Líquida. "O percentual de reajuste salarial oferecido pelo poder público para o funcionalismo é bastante questionável: 3,64%. Ao receber essas informações, podemos fazer o debate. O prefeito pode elevar esse percentual? Os servidores estão pedindo a correção monetária, de 5% e mais o reajuste acima da inflação", salientou. 

Ao justificar voto, o vereador Pedro Kawai (PSDB) parabenizou a parlamentar pelo requerimento e comentou sobre a importância de o Poder Executivo encaminhar as informações, especialmente em relação ao repasse de ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços). Confira, no vídeo, as falas dos vereadores sobre o requerimento.

Legislativo Rai de Almeida

Texto:  Aline Macário - MTB - 39.904
Supervisão de Texto e Fotografia: Rodrigo Alves - MTB 42.583

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