EM PIRACICABA (SP) 21 DE MARÇO DE 2025

"Amor para todos, ódio para ninguém", defende líder religioso

Imã Ihtsham Ahmad Moman, vice-presidente da comunidade muçulmana Ahmadia no Brasil, discursou na Tribuna Popular da Câmara na noite desta quinta-feira (20)




Toque na imagem para aumentar

Imã Ihtsham Ahmad Moman, vice-presidente da comunidade muçulmana Ahmadia no Brasil

Crédito: Fabrice Desmonts - MTB 22.946




A Tribuna Popular da Câmara Municipal de Piracicaba recebeu na noite desta quinta-feira (20) o Imã Ihtsham Ahmad Moman, vice-presidente da comunidade muçulmana Ahmadia no Brasil.

“Hoje estou aqui, em primeiro lugar, para apresentar a nossa comunidade, que é a comunidade muçulmana Ahmadia, fundada em 1889 por Mirza Ghulam Ahmad. Ele fundou a comunidade porque, dentro do islamismo, também há vários segmentos. As pessoas acham que só tem sunitas ou xiitas, mas na verdade existem mais de setenta segmentos”, explicou.

De acordo com Ihtsham Ahmad Moman, o objetivo da comunidade Ahmadia é destacar os ensinamentos pacifistas do Islã.  

“A profecia do profeta Mohamed, a paz esteja sobre ele, que fundou o islamismo, disse que iria chegar um tempo, como os judeus e os cristãos, que se dividiram em grupos, que o meu povo também iria se dividir em vários grupos, [com] várias disputas entre eles, e nesse momento, como veio Jesus Cristo como Messias para os judeus, que a paz esteja sobre ele, então, do mesmo jeito para os muçulmanos, também viria o Messias para reformar os muçulmanos, a prática dos muçulmanos, para coloca-los de novo no caminho certo. Então, segundo essas profecias, acreditamos que ele que fundou a nossa comunidade foi o Messias prometido para reformar os muçulmanos, para trazer de novo os ensinamentos que foram esquecidos pelos próprios muçulmanos. A própria palavra islã quer dizer paz, segurança e submissão a Deus”, falou.

Em seu discurso, ele frisou a importância de, ao invés de se reforçar as divergências entre as religiões, de se buscar suas semelhanças e pontos de união: “o Islamismo acredita que não há compulsão na religião. A religião é uma coisa que tem a ver com o coração. Nós não podemos forçar ninguém a aceitar uma religião ou outra. Se pegarmos todas as religiões, veremos que há muitas coisas em comum entre as comunidades religiosas, que todas vieram para trazer o amor, para trazer a união, para trazer a irmandade e fraternidade”. 

Ihtsham Ahmad Moman também falou sobre o preconceito vivido por muitos muçulmanos, que por vezes são associados ao fanatismo e ao terrorismo. 

“Infelizmente, hoje nós vemos que as pessoas, quando lembram o nome do Islã, dos muçulmanos, acham que é um nome semelhante ao terrorismo, ao fanatismo. Ao se falar de muçulmano, com esse nome estranho, acham que é homem bomba, vão fazer várias piadas com isso. Na verdade, podemos até achar engraçado, mas quando saímos na rua, é a realidade que escutamos, e quem sente isso na pele consegue ver o tamanho do prejuízo, o dano que isso traz para a pessoa. Eu posso citar aqui exemplos de que nunca essa religião, dessa forma como às vezes é demonstrada pela mídia, foi praticada pelo Santo Profeta. Muito pelo contrário, o Santo Profeta, que é o fundador do islã, demonstrou compaixão, demonstrou esse diálogo inter-religioso”, pontuou. 

Por fim, ele concluiu: “por que não focarmos nas coisas boas? Por que temos sempre que olhar para o que é diferente, para criar o ódio, para gerar o preconceito, e que vai levar depois para vários outros problemas dentro da nossa sociedade? O lema de nossa comunidade é “amor para todos, ódio para ninguém”. E esse é o lema que nós praticamos. Nós não só servimos, nós não só fazemos os nossos trabalhos espirituais, as nossas orações , mas também temos os trabalhos humanitários, os trabalhos sociais que fazemos, independentemente da raça, da religião, da etnia. Por quê? Porque todos são criaturas de Deus. Todos merecem a nossa atenção. Todos merecem a nossa compaixão”. 

O discurso do vice-presidente da comunidade muçulmana Ahmadia no Brasil pode ser revisto, na íntegra, no vídeo que acompanha esta matéria.

Tribuna Popular

Texto:  Fabio de Lima Alvarez - MTB 88.212
Supervisão de Texto e Fotografia: Rodrigo Alves - MTB 42.583

Notícias relacionadas